Pomba-Gira Maria Padilha

Nome que significa Rainha do Fogo, Maria Padilha já teve várias encarnações na Terra, e a última delas foi em Ilhéus na Bahia. Nesta sua última encarnação, ela era uma espanhola que veio para o Brasil morar em Ilhéus na Bahia e foi morta na porta de um cabaré. Todos os homens que ela teve, em cada uma das encarnações, num total de sete, estão com ela na espiritualidade.

Entre mitos mais variantes que revelam alguma qualidade a característica especial desta mulher, o que servirá nos terreiros como apoio é o segundo nome que acompanhará o primeiro. Recebe outros apoios que alguns podem pensar que se trata de outra Pombagira, mas na realidade é ela: "Rainha dos Infernos", "Rainha do Candomblé", "Rainha das Marias", "Rainha das Facas", "Mulher de Lucifer", "Rainha da Malandragem", "Rainha dos Ciganos", etc. Em cada lugar lhe dão diferentes sobrenomes, que na realidade busca elogiar a entidade e transmitir uma maior intimidade.

Tem predileção - igual ao seu principal marido, Rei das 7 Liras (Lúcifer) - pelas navalhas e armas brancas em geral, especialmente aquelas que são afiadas e pequenas, onde se deve ter muita agilidade para não ser cortado. Como toda pomba gira, possui numerosos amantes ou parceiros, com os quais pode "adjuntar-se" ou "trabalhar", sendo essa parceira que protegerá a determinada pessoa.

Cabe esclarecer que nem sempre se formam os mesmos parceiros, pois os mesmos dependeram da morada onde trabalhe a Pomba Gira e o que indique o ponto riscado ou firma espiritual. Apresenta-se sob a aparência de uma formosa mulher, de longos cabelos negros, pele morena (as vezes mais clara e as vezes mais escura), sua idade e físico variam também de acordo com o tipo de caminho ou passagem desta Pomba Gira, pois existem passagens jovens e velhas, sendo igualmente atrativas em qualquer de suas passagens, isto ocorre com todos os Exús de quimbanda, não importando a idade que apresentem, pois tem o dom da sedução.

Ela gosta de luxo, dos homens, de dinheiro, das jóias, da boa vida, dos jogos de azar, de baile e da música. É uma grande bailarina, cujos movimentos podem incluir passos das ciganas em alguns momentos, mexendo sensualmente seus braços, como quem desfruta plenamente de seduzir com o corpo em movimento. Seu porte é altivo, orgulhoso, magestoso, possui características das mulheres que não tem medo de nada. É muito requisitada para atrair amantes, abrir os caminhos, amarrar parceiras, mas principalmente é muito temida por sua frieza e seu implacavel poder na questão de demandas. Algumas das principais Pomba Giras que estão dentro de sua falange, abaixo de sua ordem são:

- Maria Mulambo

- Maria Quitéria

- Maria Lixeira

- Maria Mirongueira

- Maria das Almas

- Maria da Praia

- Maria Cigana

- Maria Tunica

- Maria Rosa

- Maria Colodina

- Maria Farrapos

- Maria Alagoana

- Maria Bahiana

- Maria Navalha

Todas com características bastante similares, as quais as vezes podem inclusive ser confundidas por quem não tem muita experiência.

 

A LENDA DA MARIA PADILHA

Vou contar uma lenda de uma pobre Maria,

Que conheceu o luxo e a agonia !

Vou contar a lenda de Maria Padilha,

Que escondia a sedução sob a mantilha !

 

Ela viveu no século XIV , cheio de magia,

Misticismo e fantasia !

Ela nasceu na Espanha valorosa,

Formosa e maravilhosa !

 

Ainda criança , Maria Padilha foi abandonada...

Por sua mãe , que era uma coitada...

Ela era filha de mãe solteira...

E virou uma órfã verdadeira !

 

Ela nunca teve uma família inteira ...

Assim, ela foi criada por uma feiticeira !

Ela gostava de dançar o “flamenco” sensual...

De uma forma especial !

 

Ela gostava de vestir preto e vermelho ...

Para treinar a dança no espelho !

Na adolescência , ela virou uma cortesã elegante...
Conhecendo muita gente importante !

 

Ela foi apresentada à Dom Pedro I de Castela...

De uma forma elegante e bela...

Pelo primeiro ministro numa festa...

Ao som de uma linda orquestra !

 

Assim, os dois dançaram...

E se apaixonaram...

Mas , Pedro estava noivo de Branca de Bourbon,

Que era frágil e sempre saia do tom !

 

Mas , Maria Padilha fez uma bruxaria,

Que gerou uma grande agonia :

Ela jogou um feitiço no cinto em que Branca...

De uma forma ingênua e franca...

 

Presenteou o seu amado...

De um jeito calado !

 

Assim, depois do casamento...

Sem nenhum sentimento...

Aconteceu um tormento :

 

Branca, dois dias depois, foi abandonada...

Sem entender, absolutamente, nada !

 

Depois , os membros bastardos da família real...

Seqüestraram Pedro de um jeito sensacional !

Mas com a ajuda de Maria Padilha...

Pedro escapou de toda aquela matilha !

 

Então, ele decidiu transferir sua corte para Alcazar de Sevilha...

Junto com sua amada Maria Padilha !

Depois, ele bolou uma vingança sem piedade...

E matou seus 9 irmãos traiçoeiros de verdade !

 

Por causa desta vingança de fel...

Ele ficou conhecido como Pedro, o cruel !

Com Maria Padilha, ele teve 4 crianças...

Carregadas de coragem e esperanças !

 

Porém, um dia...

Cheio de agonia...

A linda Maria...

Morreu vítima da peste negra com muita dor...

Mas, Pedro chorando com ardor...

Nomeou a amada morta como rainha original...

De uma forma especial !

 

Porém Pedro, o cruel...

Conheceu o próprio fel...

Morrendo nas mãos do único irmão bastardo que escapou a sua ira...

Mas, que conheceu a atrocidade e a mentira !

 

Esta é a história de Maria Padilha,

Que escondia a sedução sob a mantilha...

E que de tanto fazer magias e de possuir um olhar de vampira...

Tem seitas que dizem que ela é a real pomba–gira.

Uma brave história de Maria Padilha das Sete Encruzilhadas

Núbia estava satisfeita e feliz. Depois de uma misteriosa doença, sua prima, a rainha Velma, havia sucumbido. E ela sabia do que se tratava, fora ela quem, diariamente, pingara gotas de um poderoso veneno nas refeições da soberana.

O caso amoroso que mantinha com o rei Alberto finalmente teria um final feliz. Para ela, claro! Mal pode conter a alegria quando foi notificada da morte da prima. Fez um tremendo esforço para derramar algumas lágrimas durante o féretro, porém seus pensamentos fervilhavam, imaginava os detalhes de sua coroação. Havia o período de luto de no mínimo três meses, mas isso era de menos,

Alberto estava totalmente apaixonado e faria de tudo para casar-se com ela o mais rápido possível.

Aí sim, a glória e o poder que sempre foram daquela tonta seriam dela para frente. Várias vezes tivera que cobrir o rosto com seu lenço negro para que ninguém percebesse o sorriso de satisfação que aflorava em seus lábios.

Terminadas as exéquias, Núbia procurou pelo amante para dizer-lhe que estava pronta para ser sua nova mulher, esperariam o luto oficial e poderiam começar os preparativos para o casamento e coroação.

A reação de Alberto fez seu coração gelar:

- Núbia foi você que matou minha mulher?

Negou peremptoriamente.

Ela jamais teria coragem de fazer qualquer mal à sua prima, mesmo amando seu marido, pelo contrário, perdera noites de sono para permanecer à cabeceira da doente. Como podia ele pensar isso dela?

- Núbia!

- Alberto estava gritando

- A casa tem criados, será que você é tão imbecil que não percebe que eu descobriria?

O desespero tomou conta da mulher, sentiu que a situação havia fugido de seu controle. Jogou-se aos pés do homem implorando perdão:

- Eu te amo demais, não agüentava mais ficar longe de você!

As lágrimas corriam livremente.

- Ela não te amava, sou eu que o amo!

Sem pestanejar, Alberto chamou pelos guardas palacianos e mandou que a levassem a ferros para o porão do castelo onde ficaria até que ele decidisse o que fazer.

Durante três anos permaneceu presa. Chorava muito e amaldiçoava a todos. O pior, porém era o fantasma de Velma que todas as noites a visitava. A imagem da rainha surgia ricamente vestida e a olhava com piedade balançando a cabeça em sinal de desaprovação.

Nesses momentos os gritos que dava ecoavam pelos corredores do palácio. Da bela e arrogante mulher, nada mais restava. Tornara-se um trapo humano.

Um dia veio o golpe fatal. A criada que lhe trazia as refeições informou-lhe que o rei havia anunciado seu casamento com uma jovem duquesa.

As horas que se seguiram a essa descoberta foram de horror, a imagem da rainha falecida permaneceu sentada no fundo do cubículo e não desviava o olhar tristonho de acusação.

Num acesso de fúria avançou sobre o espectro.

Debilitada, tropeçou nas próprias vestes e caiu batendo a têmpora na pedra onde Velma estivera sentada.

Seu espírito vagou por anos. Aprendeu muito e descobriu que havia sido rainha em outras encarnações, mas que nunca fora exemplo de bondade ou compaixão.

Como Maria Padilha das Sete Encruzilhadas, readquiriu o porte majestoso de antigas vivências e segue em busca de evolução. Sempre que está em terra lembra que há muito a aprender, mas que tem muito a ensinar.

Laroiê as Pomba-giras!

 

Pontos da Entidade
Pontos de Chamada

1. Exú Maria Padilha |

Trabalha na encruzilhada >

Risca ponto, presta conta |

Ao romper da madrugada >

 

Pomba Gira, minha comadre

Me protege noite e dia

Trabalhando na encruzilhada

Com sua feitiçaria

2.

 
Pontos Riscados